sábado, 31 de agosto de 2013

Individualismo


O mundo tem ensinado o homem a viver cada vez mais seu individualismo. A ideia de liberdade, de independência, tem guiado muita gente nas escolhas dos caminhos e do estilo de vida. As metrópoles estão repletas de homens e mulheres vivendo sozinhos, e de tal forma se acostumam que dificilmente conseguem mais estabelecer uma união, criar uma família. Pensam dez vezes, antes de enfrentar uma convivência em que teriam que exercitar a tolerância, a paciência, a harmonia, enfim, o amor. A cultura consumista da sociedade que vive do lucro tem o individualismo como motor, pois quanto mais solitário, o homem resumido a consumidor terá ansiedade para suprir o seu constante vazio. O prazer do consumo é como uma droga de efeito cada vez mais rápido. Passada a “onda”, novo consumo é exigido. A convivência em família, em que a empatia e a solidariedade são bastante exercitadas, acaba atrapalhando a estratégia de mercado, reduzindo a corrida frenética pelo poder aquisitivo e pelo consumo. As pessoas se distraem nos seus relacionamentos e freqüentam menos os supermercados, magazines, relojoarias... O mercado estimula o ego que, por sua vez, se isola no individualismo, conspira contra a família e mantém o homem escravo do dinheiro e das coisas (que podem ou não comprar). Estamos no ápice desse movimento cultural voltado para o consumo exagerado. É quando tudo acontece para que haja uma onda contrária em prol do equilíbrio e da vida. É quando tudo pode acontecer para que haja significativa transformação.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Amor político


De que adianta você ter fé, aprender a viver com a Palavra de Deus, mas esconder o que aprendeu, não professar sua fé, não dar exemplos, não fazer caridade, não levar a todos a boa notícia e não trabalhar para o bem comum? Que religiosidade vazia é essa? Árvore que não dá sombra e não frutifica tem as suas folhas secas, nem clorofila produz, jamais será útil, a não ser como lenha para o fogo. Há que haver generosidade em cada movimento humano de servidão a Deus. O amor que se cultiva com Deus deve gerar o amor ao próximo, que tenho chamado atualmente de “amor político”. Na parábola do Bom Samaritano com que Jesus ensina quem é o próximo, a mim fica claro que se trata do “desconhecido que necessita de ajuda”. Peço ao leitor que guarde as suas reservas em relação à política, atualmente promovida em grande parte por oportunistas, e pense comigo: existe alguma atividade em que se poderia ajudar o maior numero possível de “desconhecidos que precisam de ajuda” do que a política? Se a política for uma atividade levada a sério, com obediência amorosa a Deus e, naturalmente, com amor ao próximo, o quanto poderíamos fazer? Se as pessoas de bem (honestas) parassem de reclamar e de lutarem apenas pelos seus próprios interesses e passassem a trabalhar na política pelo bem comum, o quanto seria diferente esse mundo? Tenho feito campanha política pelo Reino de Deus, digo atualmente que não sou de esquerda nem de direita, mas do Alto. E você?... Tem amor político?

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Sementes


Penso que a felicidade que todos almejam depende do equilíbrio e reside na realização do ser em todas as áreas. Não tem justificativa para alguém sacrificar uma área importante da vida, como a família ou o amor romântico, em função de uma entrega exclusiva à carreira profissional. O sucesso profissional não lhe garante a colheita na vida pessoal. Se você semeou apenas no âmbito profissional, sua colheita pode ser abundante nesse sentido, mas faltará em outras áreas e não podemos pensar que o status e o dinheiro obtido profissionalmente (por mais honesto e merecido que possa ser) seja capaz de forjar uma colheita que dependia de boa semente, contribuição climática e o tempo do processo produtivo. As frustrações possíveis em áreas da vida que careceram de investimento podem afetar aquele setor em que mais você investiu. Porque o ser humano não quer só comida, “nem só de pão vive o homem”. O homem tem desejos que até desconhece, profundos desejos da alma. Ele pode nascer, crescer e morrer sem descobrir o que mais desejava. Daí a necessidade de investir, acima de tudo, na espiritualidade. Uma pessoa sem o desenvolvimento da espiritualidade, sem um relacionamento com o Criador, pouco enxerga sobre si mesmo e distorce o que vê ao seu redor. O melhor de uma espiritualidade autêntica (vivida sem hipocrisia) é aprender a semear em todas as áreas da vida, e a conviver com a própria impotência, sabendo esperar e aceitar com resignação, em paz portanto, o que não está ao alcance das próprias ações. Por isso, quem tem fé trabalha com sossego, sem estresse. Mas com muita esperança. Pois sabe que tudo pode mudar de uma hora para a outra, pois conhece o poder e a misericórdia de Deus.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Amar-se?


As pessoas vivem aconselhando: Ame-se. Valorize-se. Meu Deus, será que não vêem que é um discurso maléfico? Não percebem que isso se ampliou nos anos 80 e carregou multidões a cultivarem o ego? Como se o que falta ao ser humano é olhar para si, quando na verdade o problema é exatamente esse: olhar apenas para o próprio umbigo, satisfazer seus interesses mesquinhos em detrimento do próximo, ser egoísta, passar por cima das pessoas para alcançar seus objetivos. Veja se não é o egoísmo o nosso maior inimigo. O culto a si é o mesmo que dizer: o meu deus sou eu. E esse culto, de amar a si mesmo, nos leva a inevitavelmente dar o tiro que dispara a corrida, a competição: serei melhor que os outros. Ao competir, não amamos, pois estamos sempre nos comparando ao outro (como Caim o fez). O melhor conselho é o que contrapõe a esse péssimo “ame-se”, é o que diz: “ame a Deus acima de tudo”. Quando colocamos Deus no lugar certo, em primeiro lugar, tudo se acomoda com justiça, inclusive sua dignidade. Até o amor ao próximo é inerente. Ao desenvolver o amor por Deus, o que só se alcança num bom e estreito relacionamento de entrega, reconhecemos o amor Dele por nós (que é melhor do que se amar, saber que é amado por Deus). O que está escrito no Antigo Testamento, amar ao próximo como a si mesmo, refere-se, ao meu modo de  ver, a um parâmetro que estabelece a igualdade do amor de Deus a nós, para que não haja competição.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ótica


A forma como enxergamos as coisas determina as nossas ações. Sua interpretação da realidade guia a sua resposta a ela. Por isso é importante ver além do óbvio. Para isso é preciso fé. Quem prefere o materialismo e se faz imediatista quase sempre troca o melhor, o que poderia acontecer de melhor, pelo pior, o que lhe pareceu mais rápido, fácil, perto. Para combater essa ansiedade que turva o caráter humano e torna os homens fracos, vulneráveis às armadilhas, é necessário acreditar na virtude e combater a vaidade, o maior estimulante do imediatismo. É preciso confiar na bondade de Deus, enxergar o Seu caráter e ter certeza da Sua Justiça. É preciso saber que a bondade pode atrair hostilidade, pois muitos vão lhe tratar como bobo e, lhe subestimando, vão lhe enganar, maltratar, perseguir. As pessoas imediatistas e sem fé odeiam quem confia em Deus. É objeto de ira aquele servo obediente, que age com elegância, docilidade e perdão, não passa por cima de ninguém e deseja ardentemente um mundo melhor (o Reino de Deus). Em longo prazo, porém, como diz o salmista, o ímpio perece e o justo vê as bênçãos de Deus e a prosperidade em tudo. Enxerguemos, portanto, a vida pelos olhos do coração e, com fé, não vamos nos sujeitar à sedução da corrupção, da imoralidade, das facilidades. Um bom líder conduz os seus liderados a dizer não ao que parece fácil. O apoio de poderosos (dominadores do sistema atual) pode parecer interessante do ponto de vista imediatista, mas ao negar a oferta desse apoio, um líder se mantém limpo, isento, capaz de liderar uma grande transformação no sistema.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Misericórdia


A bondade de Deus nos humilha. Quando a gente descobre que nada do que vivemos de bom a gente merece, que tudo que temos e sentimos vem da Sua misericórdia que, incondicionalmente, contempla os seus por imenso amor... Deus nos humilha porque percebemos o seu perdão diário, mesmo quando não imploramos por ele, no novo dia que renova tudo, dando novas chances aos errantes, oferecendo oportunidades de sobrevivência e até de salvação para a vida eterna, sem que a gente mereça. Vendo o seu exemplo de amor, podemos entender o que disse Cristo, citando o Velho Testamento, em Mateus 9.13: “Vão aprender o que significa isto: ‘Desejo misericórdia, não sacrifícios’.” Deus nos humilha quando nos dá a sua infinita misericórdia e nós não agimos do mesmo modo com um irmão em situação de necessidade. Nosso egoísmo não nos faz enxergar muitas vezes a bondade de Deus, porque achamos que merecemos tudo o que temos e que ganhamos. Mas somos mais cegos ainda em não perceber que a única coisa que Deus deseja de nós é que sejamos misericordiosos uns com os outros. Mas o nosso ego não permite que vejamos sequer a bondade de Deus, quanto mais a nossa iniqüidade.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A chave

Muita gente rejeita a Palavra de Deus, sem saber exatamente o que está fazendo nem porquê. Muitos materialistas se sentem ofendidos e acusam a Bíblia de ter sido escrita por homens com o intuito de dominar os demais, usando a religião. Feministas dizem que as Escrituras ofendem a mulher. Machistas não aceitam serem chamados de “ovelhas” nem verem heróis chorando e gritando a Deus por socorro. Não percebem que as palavras que abatem o ego são justamente as que salvam. Porque a vaidade humana é o problema, o obstáculo para se submeter a Deus, para aceitar ordens do Criador... Aquele que sabe o que é bom e o que não é para todos nós... O ego é um engodo sustentado pela hipocrisia. Só um homem que esconde de si mesmo seus erros (pecados) é que se acha “o cara” e merecedor de alguma coisa. Quem admite seus próprios erros sabe que não merece o perdão de Deus e que, portanto, depende do amor, da misericórdia, cuja justiça foi providenciada pelo Pai no sacrifício do Filho, em ato de infinito amor por todos nós. Uma vez que assimilamos a dependência do amor de Deus, finalmente, o experimentamos. E aprendemos a amar com o amor que recebemos conscientemente. O homem precisa assumir e confessar os seus pecados. Davi, o Rei, era o homem segundo o coração de Deus. Quando percebia que havia errado, logo admitia o erro e se arrependia. Esse era o diferencial de Davi, o que fez dele um amado rei, a sua humildade. A capacidade de se confessar é a característica máxima da humildade porque a confissão anula o ego, esse grande inimigo de todos nós. Uma vez com o ego reduzido, o indivíduo se enche do Espírito Santo e passa se harmonizar no corpo de Cristo (do todo) e lê o Evangelho com discernimento, além de ganhar sabedoria e, com muito amor, ter um alumbramento, reconhecendo melhor seu papel na existência e tomando mais conhecimento do caráter de Deus. A confissão arrependida, ao meu ver, é a chave para o Amor porque estabelece a entrega e esvazia a tentativa de manipulação. Por isso, também considero a confissão sincera a chave da porta do Reino de Deus. Trazendo este argumento para o tema do blog, que é a Arte da Liderança, feliz dos líderes que confessam a Deus os seus pecados e, ao público, seus erros políticos e administrativos. Porque, arrependido dos pecados, o homem é perdoado e habilitado por Jesus Cristo para a vida eterna, além de construir uma história de honra e bons frutos para ele e os seus liderados.